terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Fin Del Mundo

As montanhas de Ushuaia


Após dias de repetitivas paisagens desérticas que se estendem por grande parte da costa Argentina, finalmente a expedição pode se aventurar por terras esverdeadas e cumprir a primeira etapa da aventura: chegar a Ushuaia ou o fim do mundo.

O fim do mundo

Mais de 5.000 Km rodados


Parque Nacional Tierra Del Fuego

A cidade portuária é um colírio aos olhos dos visitantes, porém, a beleza não está nas habitações e construções locais, mas na cadeia de montanhas que cercam a pequena cidade. A base coberta de floresta verde aos poucos é substituída por brancas camadas de gelo e neve. Por toda a cidade existem inúmeros parques e museus abertos para a visitação do turista (prepare seus bolsos, pois alguns lugares são uma facada).

Os diques fitos pelos castores




O primeiro parque escolhido foi o Parque Nacional Tierra Del Fuego com uma ampla quantidade de lagos e corredeiras formadas a partir do degelo das montanhas. A paisagem conta também com belíssimas florestas de arvores nativas da região, além a presença constante de lebres e castores (apesar de que não vimos nenhum...).

Parque nacional Tierra Del Fuego



A segunda opção visitada é também a mais recomendada para aqueles que querem conhecer neve e sentir um pouco do ar frio das montanhas. A Geleira Martil conta com um teleférico que leva o visitante alguns metros acima onde pode desfrutar de grandes porções de neve e blocos de gelo por toda a parte (vale lembrar que estamos em pleno verão no Hemisfério Sul). É recomendado que se use roupas impermeáveis e calçados adequados (ou saia da montanha todo encharcado, roxo e com as extremidades do corpo praticamente congeladas direto para um hospital).

Subindo o teleférico

E finalmente a neve

Quem quiser aproveitar para fazer compras vai se divertir por aqui. Por ser zona franca diversos produtos saem por preços absurdamente baratos. Outra dica para quem está visitando a região é se estabelecer nas Cabañas. Além de serem mais baratas que os hotéis, as pequenas habitações contam com mobília completa e até limpeza diária do ambiente.


Hehehehe
Daniel e a bola de neve

A primeira parte da viagem termina aqui. A próxima etapa fica em El Calafate onde veremos mais paredões de gelo e mais paisagens específicas a região.

Cleber Facchi

domingo, 10 de janeiro de 2010

As aventuras na Terra do Fogo

Estreito de magalhães

Depois de 350 km em linha reta com o nada pelos dois lados e algumas tempestades de areia, finalmente aportamos na cidade de Comodoro Rivadavia. A cidade que apresenta grande riqueza por conta das inúmeras fontes de petróleo é rodeada por enormes montes de areia e rochas.

Do alto de um morro a cidade de Comodoro Rivadavia

paredões de areia por todos os lados

Além da geografia característica, o vento e o frio são outros pontos marcantes. A temperatura que era relativamente mais elevada durante a maior parte do percurso sofreu uma queda brusca, somado as fortes rajadas de vento, a sensação térmica é de um frio inimaginável. O vento ainda se faz um grande vilão na hora de dirigir a desbravadora Kombi. Algumas das rajadas são tão intensas, que diversas vezes ameaçaram os rumos do automóvel na estrada.

Petróleo: Uma das grandes riquezas da região

Depois de quase dois dias sem banho ou uma cama confortável, finalmente paramos em um hotel. Quem for se aventurar pela cidade deve ter paciência para encontrar um hotel mais em conta. A maioria dos hotéis encontrados tem o pernoite caríssimo, isso por parte da riqueza petrolífera do município.

Homenagem aos guerreiros da Guerra das Malvinas

Após um breve passeio pela cidade seguimos viagem costeando o belíssimo oceano Atlântico que aqui ganha uma cor esverdeada incrível. Uma breve pausa para almoço na cidade de Puerto San Julian e mais fotos. A cidadela conta com um monumento em homenagem aos soldados que lutaram na batalha das ilhas Malvinas, assim como uma réplica da nau do navegador Fernão de Magalhães. Ao fim do dia, mais uma noite passando dentro da querida Kombi branca.





Réplica da nau Victória


Pela manhã finalmente cruzamos a fronteira do Chile. É o terceiro país que visitamos em uma semana de viagem. Chegando ao Estreito de Magalhães, uma rápida travessia de balsa acompanhada por golfinhos e pinguins durante todo o percurso. Depois de aproximadamente 40 minutos finalmente adentramos a gelada Terra Del Fuego.

Lorimar escalando o "mastro do navio"

As cada vez mais frequentes estradas de rípio

Méééé

Um descanso para a poderosa

Retirando a permição para adentrar a Terra del Fuego

Mais algumas horas para registrar nossa imigração nas aduanas dos países e seguimos viagem. Por hoje ficaremos na cidade de Rio Grande, uma belíssima cidade com suas amplas avenidas e mar de águas esverdeadas. A temperatura está abaixo dos dez graus e o vento torna a sensação térmica muito abaixo disso. Pelo menos vamos nos acostumando já que amanhã teremos algumas montanhas de neve e ventos cortantes ao pisar no nosso destino: Ushuaia.

Cleber Facchi


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Dois dias no deserto



Saindo da cidade de Bahia Blanca a paisagem se modificou por completo: um imenso deserto passou a acompanhar a expedição. O clima que já era seco tornou-se terrivelmente pior, o simples exercício de respirar se transforma em uma tarefa exaustiva. É tanta poeira que é quase possível tirar tijolos do nariz.
No meio do deserto apenas algumas plantas rasteiras são encontradas. A estrada curvilínea que nos acompanhava no Brasil se transformou por completo em gigantescas retas. É possível andar mais de 100 km somente em linha reta. A estrada se estende ao horizonte e parece não ter mais fim.

Homenagem aos mortos encontrada diversas vezes nas estradas

Ao final do dia chegamos a Península de Valdez, uma enorme fatia de terra que se desprende do continente rumo ao oceano. A paisagem é a mesma do deserto, sua única alteração está na fauna local. Diversos rebanhos de Ilhamas e ovelhas são avistados por todos os lados.


Após um rápido passeio pela praia de Puerto Pirâmide, com suas areias escuras e água gelada, os aventureiros montaram o acampamento em um camping local. Como tudo é muito distante, os preços são altíssimos na pequena cidade, até o banho conta com uma taxa. Resultado: mais uma noite dormindo completamente empoeirados. O cansaço era tanto, que mesmo o duro chão da barraca é esquecido em prol de um sono renovador.
Pela manhã todo o cansaço e desânimo do dia anterior são rapidamente substituídos quando se inicia o passeio pelo resto da península. Após alguns minutos pela estrada de rípio (uma estrada repleta de pedras exclusivas da região) avistamos os amigáveis pinguins. Dóceis e facilmente fotografáveis (alguns parecem posar para as fotos) os pequenos pássaros de fraque são avistados aos montes.

Daniel caçando nosso almoço



Seguindo mais ao norte da península novamente fomos surpreendidos por outros animais característicos da região: Elefantes e Lobos marinhos. Por precaução, os turistas só podem observá-los ao longe e devem se manter em silêncio dentro da área dos animais (sim, o guia deu uma bronca na gente). Com certeza o momento mais emocionante (ou não) foi presenciar um filhote de elefante marinho que acabava de nascer coberto ainda por uma gosmenta placenta.

Elefantes e Lobos marinhos

Elefantes marinhos na Peninsula de Valdez

Pela tarde seguiremos viagem rumo Comodoro Rivadavia, em aproximadamente dois dias chegaremos ao nosso tão esperado destino: Ushuaia.

Cleber Facchi




quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O ataque dos mosquitos malditos parte VIII

Após uma travessia de três horas pelo Rio da Plata com direito a apresentação de tango em alto mar saímos da cidade Colonia Sacramento no Uruguai e aportamos na capital da Argentina Buenos Aires. Para a travessia fomos de BuqueBus, uma espécie de balsa gigante que comporta passageiros e veículos.

Depois de um rápido (e quase descartável) passeio pela capital argentina em busca de uma hospedagem que não foi encontrada, a expedição seguiu em frente rumo à cidade de Mar Del Plata.
A carência hotéis ou qualquer posto para dormir obrigou os nobres viajantes a passarem sua primeira noite dentro do veículo. O sono e o cansaço eram tão intensos, que até os desconfortáveis bancos da Kombi pareciam uma belíssima e confortável cama (quase uma King Size Master Confort).

Pela manhã seguimos viagem, acompanhados pelos (monótonos) pampas argentinos. De todos os problemas, sem dúvida o mais irritante foi o ataque de mosquitos que encontramos pelo caminho. Todos os viajantes ficaram com braços, pernas e até os olhos deformados de tanta picada. Inclusive é necessário um urgente transplante de sangue em todos os aventureiros. Se alguém souber o paradeiro do repelente seria de grande ajuda. Seguindo viagem chegamos a cidade litorânea de Mar Del Plata, onde fomos presenteados com uma praia belíssima (apesar do clima frio) e construções com fortes características européias. A cidade com suas amplas ruas e construções gigantescas é um colírio aos olhos. Até os flanelinhas são extremamente educados e fazem o serviço com qualidade e respeito aos turistas.


O almoço (pão com requeijão, frango assado e cerveja Quilmes) foi à beira da estrada. As constantes rajadas de vento frio foram o grande empecilho da refeição. Conforme vamos seguindo, o clima vai ficando cada vez mais seco e a paisagem mais desértica (lembra muito os Road movies americanos). Por todos os lados diversos campos secos ou plantações, que vão de soja a belíssimos campos de girassol.

Pelo resto do dia ficaremos em Bahia Blanca, mais uma cidade costeira com clima seco e muita, muita poeira.

Cleber Facchi

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

"Como se diz isso em espanhol?"



Ao contrário do primeiro dia de jornada que foi tomado pelas chuvas intermináveis, a jornada de hoje contou com um sol escaldante e calor intenso.
Saindo de Rivera, cidade que faz divisa com o Brasil, encontramos asfalto em perfeitas condições, soma-se a isso, o carisma e bom atendimento do povo uruguaio. Até a polícia de fornteira se mostoru bem agradável e fez algumas piadinhas.




Durante a maior parte do percurso a paisagem é imutável, diversas pastagens e amplas areas repletas de gado e até avestruzes.
Foram raras as cidades encontradas pelo caminho. Das poucas que a expedição passou é possivel perceber uma arquitetura bem diferente do estilo brasileiro, com algumas construções mais antigas e prédios históricos.



O almoço foi na cidade de Paso del Toro, uma pequena cidade rodeada de vários rios e que conta com uma belíssima escultura de um enorme touro em um dos pontos do local. Foi também no almoço que um problema se iniciou: Como se diz isso em espanhol? Mesmo com a barreira da lingua, a relação com nossos hermanos não parece tão complicada assim.




Outro fato curioso são os carros encontrados por aqui. A maioria são modelos muito antigos, peças que seriam encontradas somente em museus automobilisticos. Os poucos veículos "modernos" que foram encontrados eram pertencentes a turistas, na sua maioria argentinos e pouquíssimos brasileiros.



A última parada pelo Uruguay é na cidade de Colonia Sacramento, onde em poucas horas navegaremos de balsa até o país vizinho, a querida Argentina. O trajeto que se passa no Rio de la Plata com tempo estimado de três horas de duração. Amanhã começa nossa aventura por terras argentinas, se aproximando cada vez mais do destino final.



Uma dica: se vier para o Uruguay, não se esqueça de provar o saboroso Yogur Batido Integral da marca conaprole: UMA DELÍCIA!

Cleber Facchi