sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Dois dias no deserto



Saindo da cidade de Bahia Blanca a paisagem se modificou por completo: um imenso deserto passou a acompanhar a expedição. O clima que já era seco tornou-se terrivelmente pior, o simples exercício de respirar se transforma em uma tarefa exaustiva. É tanta poeira que é quase possível tirar tijolos do nariz.
No meio do deserto apenas algumas plantas rasteiras são encontradas. A estrada curvilínea que nos acompanhava no Brasil se transformou por completo em gigantescas retas. É possível andar mais de 100 km somente em linha reta. A estrada se estende ao horizonte e parece não ter mais fim.

Homenagem aos mortos encontrada diversas vezes nas estradas

Ao final do dia chegamos a Península de Valdez, uma enorme fatia de terra que se desprende do continente rumo ao oceano. A paisagem é a mesma do deserto, sua única alteração está na fauna local. Diversos rebanhos de Ilhamas e ovelhas são avistados por todos os lados.


Após um rápido passeio pela praia de Puerto Pirâmide, com suas areias escuras e água gelada, os aventureiros montaram o acampamento em um camping local. Como tudo é muito distante, os preços são altíssimos na pequena cidade, até o banho conta com uma taxa. Resultado: mais uma noite dormindo completamente empoeirados. O cansaço era tanto, que mesmo o duro chão da barraca é esquecido em prol de um sono renovador.
Pela manhã todo o cansaço e desânimo do dia anterior são rapidamente substituídos quando se inicia o passeio pelo resto da península. Após alguns minutos pela estrada de rípio (uma estrada repleta de pedras exclusivas da região) avistamos os amigáveis pinguins. Dóceis e facilmente fotografáveis (alguns parecem posar para as fotos) os pequenos pássaros de fraque são avistados aos montes.

Daniel caçando nosso almoço



Seguindo mais ao norte da península novamente fomos surpreendidos por outros animais característicos da região: Elefantes e Lobos marinhos. Por precaução, os turistas só podem observá-los ao longe e devem se manter em silêncio dentro da área dos animais (sim, o guia deu uma bronca na gente). Com certeza o momento mais emocionante (ou não) foi presenciar um filhote de elefante marinho que acabava de nascer coberto ainda por uma gosmenta placenta.

Elefantes e Lobos marinhos

Elefantes marinhos na Peninsula de Valdez

Pela tarde seguiremos viagem rumo Comodoro Rivadavia, em aproximadamente dois dias chegaremos ao nosso tão esperado destino: Ushuaia.

Cleber Facchi




quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O ataque dos mosquitos malditos parte VIII

Após uma travessia de três horas pelo Rio da Plata com direito a apresentação de tango em alto mar saímos da cidade Colonia Sacramento no Uruguai e aportamos na capital da Argentina Buenos Aires. Para a travessia fomos de BuqueBus, uma espécie de balsa gigante que comporta passageiros e veículos.

Depois de um rápido (e quase descartável) passeio pela capital argentina em busca de uma hospedagem que não foi encontrada, a expedição seguiu em frente rumo à cidade de Mar Del Plata.
A carência hotéis ou qualquer posto para dormir obrigou os nobres viajantes a passarem sua primeira noite dentro do veículo. O sono e o cansaço eram tão intensos, que até os desconfortáveis bancos da Kombi pareciam uma belíssima e confortável cama (quase uma King Size Master Confort).

Pela manhã seguimos viagem, acompanhados pelos (monótonos) pampas argentinos. De todos os problemas, sem dúvida o mais irritante foi o ataque de mosquitos que encontramos pelo caminho. Todos os viajantes ficaram com braços, pernas e até os olhos deformados de tanta picada. Inclusive é necessário um urgente transplante de sangue em todos os aventureiros. Se alguém souber o paradeiro do repelente seria de grande ajuda. Seguindo viagem chegamos a cidade litorânea de Mar Del Plata, onde fomos presenteados com uma praia belíssima (apesar do clima frio) e construções com fortes características européias. A cidade com suas amplas ruas e construções gigantescas é um colírio aos olhos. Até os flanelinhas são extremamente educados e fazem o serviço com qualidade e respeito aos turistas.


O almoço (pão com requeijão, frango assado e cerveja Quilmes) foi à beira da estrada. As constantes rajadas de vento frio foram o grande empecilho da refeição. Conforme vamos seguindo, o clima vai ficando cada vez mais seco e a paisagem mais desértica (lembra muito os Road movies americanos). Por todos os lados diversos campos secos ou plantações, que vão de soja a belíssimos campos de girassol.

Pelo resto do dia ficaremos em Bahia Blanca, mais uma cidade costeira com clima seco e muita, muita poeira.

Cleber Facchi

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

"Como se diz isso em espanhol?"



Ao contrário do primeiro dia de jornada que foi tomado pelas chuvas intermináveis, a jornada de hoje contou com um sol escaldante e calor intenso.
Saindo de Rivera, cidade que faz divisa com o Brasil, encontramos asfalto em perfeitas condições, soma-se a isso, o carisma e bom atendimento do povo uruguaio. Até a polícia de fornteira se mostoru bem agradável e fez algumas piadinhas.




Durante a maior parte do percurso a paisagem é imutável, diversas pastagens e amplas areas repletas de gado e até avestruzes.
Foram raras as cidades encontradas pelo caminho. Das poucas que a expedição passou é possivel perceber uma arquitetura bem diferente do estilo brasileiro, com algumas construções mais antigas e prédios históricos.



O almoço foi na cidade de Paso del Toro, uma pequena cidade rodeada de vários rios e que conta com uma belíssima escultura de um enorme touro em um dos pontos do local. Foi também no almoço que um problema se iniciou: Como se diz isso em espanhol? Mesmo com a barreira da lingua, a relação com nossos hermanos não parece tão complicada assim.




Outro fato curioso são os carros encontrados por aqui. A maioria são modelos muito antigos, peças que seriam encontradas somente em museus automobilisticos. Os poucos veículos "modernos" que foram encontrados eram pertencentes a turistas, na sua maioria argentinos e pouquíssimos brasileiros.



A última parada pelo Uruguay é na cidade de Colonia Sacramento, onde em poucas horas navegaremos de balsa até o país vizinho, a querida Argentina. O trajeto que se passa no Rio de la Plata com tempo estimado de três horas de duração. Amanhã começa nossa aventura por terras argentinas, se aproximando cada vez mais do destino final.



Uma dica: se vier para o Uruguay, não se esqueça de provar o saboroso Yogur Batido Integral da marca conaprole: UMA DELÍCIA!

Cleber Facchi

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Chuva, retas e cem quilômetros se arrastando



Quatro e um da manhã, é a hora da partida. Malas carregadas (ocupando mais espaço do que o planejado), Kombi pronta, caras de sono, bafo e algumas adaptações. Já nos primeiros quilômetros de viagem, a revisão de alguns itens e a escolha da trilha sonora.
A princípio a Kombi parecia não dar conta do recado, até que por volta do CENTÉSIMO quilômetro (sim, 100 quilômetros) perceberam que a mesma andou todo o percurso com o freio de mão puxado (sério). Livre das amarras, a pequena e poderosa Kombi pode seguir sua viagem, agora dando o máximo de sua potência.



Pela manhã, Santa Catarina já havia ficado para trás, adentrando as terras gaúchas. Um almoço rápido na cidade de Cruz Alta, com sua arquitetura arcaica e algumas construções que beiram o completo abandono.




De todos os acontecimentos, sem dúvida o mais importante foi o carinho de todos os aventureiros em relação ao GPS que acompanha o grupo. O equipamento, carinhosamente apelidado de “Adelaide” foi durante boa parte do trajeto o grande chamariz de atenção. As estradas começam a demonstrar sinais do que encontraremos pela frente: centenas de quilômetros em linha reta somado a uma paisagem que pouco se altera.



Durante a parte da tarde uma chuva interminável tomou conta da viagem. Por todos os lados os pampas gaúchos eram tomados pela água, lembrando claramente o que seria uma visão do Pantanal mato-grossense.



Quem pretende realizar o mesmo percurso é bom estar preparado e com o tanque de combustível cheio. De Santa Maria até Santana do Livramento, nenhum posto de combustível foi avistado, isso em um trajeto de mais de 250 quilômetros.
Como parada final na jornada diária, uma noite em Santana do Livramento e um rápido passeio pela cidade de Rivera já no lado uruguaio. Ambas as cidades podem ser atravessadas a pé e contam com uma zona franca, perfeito para os consumidores mais desesperados.



Hoje, após longos 905 km, uma pausa, e amanhã continuaremos nossa viagem rumo os frios paredões de gelo da Patagônia.

Cleber Facchi

domingo, 3 de janeiro de 2010

Kombinando a viagem



Antes mesmo de botar o pé na estrada (ou as rodas) nada como arrumar as malas e preparar os últimos equipamentos. A expedição KOMBINANDO AVENTURA que terá como destino a cidade argentina de Ushuaia ou o "Fim del mundo" faz os últimos ajustes da viagem que terá cerca de trinta dias de muita aventura, brigas entre os familiares, boas fotos e paisagens belíssimas.
Ao longo dos dias, conforme a viabilidade de internet o blog será atualizado e você internauta terá acesso as mesmas maravilhas e crises que vivenciaremos.




Uma Kombi, um colchão, uma barraca, dois sacos de dormir, um colchonete, pouca comida, pouco dinheiro, e a vontade de seguir em frente.




A viagem começa na madrugada do dia 04 de janeiro, saindo da cidade de São Jorge D'Oeste no sudoeste do Paraná. Quatro pessoas Lorimar Gaio (motorista), Marinês Gaio (alimentação, saúde, diplomacia, programadora de GPS, corte, costura, higiene e broncas), Daniel Gaio (fotos e apoio moral) e Cleber Facchi (fotos e blog) vão se aventurar pelas terras geladas (ou não) do Sul do mundo.